

Desde o início da pandemia, em março de 2020, até a março de 2021, o Centro de Atendimento Integral ao Fissurado Labiopalatal (Caif), localizado em Curitiba, suspendeu os atendimentos presenciais e as cirurgias. As consultas com psicólogos, fonoaudiólogos e nutricionistas foram mantidas apenas por vídeo durante o período. Gradativamente, a partir daquele mês, os atendimentos voltaram à normalidade e atualmente o centro já funciona com 100% da capacidade.
O Caif é uma das unidades de saúde que integram o Complexo Hospitalar do Trabalhador, pertencente à Secretaria de Estado da Saúde. No local, é ofertada assistência com equipes multiprofissionais, promovendo a reabilitação estética e funcional aos portadores de malformação craniofacial congênita.
Por mês, são realizadas em média 100 cirurgias, a maioria delas para reconstrução do lábio e do palato, em adultos, adolescentes e crianças. Para casos de alta complexidade, que podem acometer as pessoas com malformação craniofacial congênita, o Caif possui uma equipe multi e interdisciplinar para o auxílio durante o tratamento.
As equipes são compostas por profissionais das áreas de cirurgia plástica, cirurgia crânio maxilofacial, neurocirurgia, neurologia, otorrinolaringologia, pediatria, clínica geral, anestesiologia, genética, fonoaudiologia, odontologia (cirurgia bucomaxilofacial, prótese dentária, ortodontia, clínica geral, odontopediatria, endodontia e periodontia), psicologia, nutrição, serviço social, enfermagem e equipe administrativa.
O principal objetivo dessas áreas é promover a reabilitação estética e funcional do paciente, envolvendo não só o tratamento clínico, como também o psicológico e social. “Nossa unidade transforma a vida não só de seus pacientes como também de toda a família, pois existe um acompanhamento efetivo em várias áreas, permitindo uma análise profunda do que ocorre durante o tratamento”, ressalta o secretário estadual da Saúde, César Neves.
REFERÊNCIA– O Caif é uma referência no Paraná, e também atrai pacientes de 18 outros estados – Amazonas, Rondônia, Pará, Maranhão, Ceará, Piauí, Sergipe, Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e do Distrito Federal.
“Desde que nasceu, meu bebê faz tratamento e agora ele está se preparando para a primeira cirurgia, aos quatro meses de idade”, conta Bruna Mendes, mãe de Carlos Emanuel, que nasceu com uma fissura lábiopalatina, mais conhecida como lábio leporino.
Ele é um dos 3 mil pacientes atendidos durante o mês na unidade. A Bruna e o Carlos Emanuel vieram de Reserva do Iguaçu, região Centro-Sul do Estado, para a cirurgia e tratamento pós-cirúrgico.
A maior parte dos atendimentos do Caif está relacionada ao lábio leporino e fenda palatal, que têm incidência de um caso a cada 650 nascimentos. Trata-se de malformação que ocorre no embrião logo nos primeiros meses de desenvolvimento, ainda dentro do útero.
As duas partes do lábio e o céu da boca se unem no final do processo de formação embrionária. Quando isso não acontece, surge a fissura palatina, que já pode ser diagnosticada na 14ª semana de gestação por meio de exames de imagem (ecografia).
Segundo a gerente técnica assistencial do Caif, Rosana Gabardo, o tratamento é longo. “Temos muitos casos de gestantes, que assim que têm conhecimento da síndrome ou má-formação, por meio da ecografia, já nos procuram para uma orientação sobre o que fazer após o parto do bebê”, salienta.
PROFISSIONAIS– No Caif trabalham 72 profissionais. Somente na área odontológica atuam 29 cirurgiões, que se revezam nos seis consultórios existentes dentro do centro de atendimento. Já as demais cirurgias são realizadas no Centro Cirúrgico Eletivo do Hospital do Trabalhador. Todos os pacientes são exclusivamente encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“Cada caso é um caso. Existem alguns pacientes em que uma ou duas cirurgias bastam, enquanto outros casos exigem maior tempo. Por vezes, o tratamento leva anos, dependendo da recuperação do paciente ou da gravidade. Eu já acompanhei bebês que à época fizeram a primeira cirurgia e que hoje, aos 18 anos, ainda frequentam a unidade para apoio”, completa Rosana.
Dentre os 3 mil pacientes do Caif atendidos mensalmente, estão também o Robson de Carvalho com sua filha, de dois anos, Emily. Ambos estão em tratamento para a abertura de pálpebra.
“Minha filha já nasceu precisando de atendimento e, por ser criança, temos acesso a vários médicos e especialistas. Nosso problema é genético e desde os primeiros dias de vida sempre trouxe a Emily para ser tratada aqui. Ela já fez uma cirurgia e tem mais duas para fazer ainda, para abrir o canal de lágrimas. Temos muita esperança que vai dar tudo certo”, diz Robson.
SERVIÇO– O Caif fica na Avenida República Argentina, 4334, no bairro Novo Mundo, em Curitiba. O contato por telefone pode ser feito pelos números (41) 99928-0175 ou (41) 3212-9200.
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